Desempenho pífio do Fies frusta estudantes da graduação

O pior desempenho na série histórica do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) significa também o sonho frustrado de milhares de brasileiros de fazer uma graduação. O impacto no número de alunos que deixaram as salas de aulas do ensino superior por não ter conseguido acesso ao programa ainda é desconhecido, mas o desempenho pífio do chamado Fies privado (P-Fies) evidencia que a solução para garantir o acesso da população à educação não passa pela transferência da responsabilidade constitucional do governo para agentes financeiros privados. As instituições particulares de ensino superior apresentaram uma proposta de reestruturação, que tem como objetivo o resgate do aspecto social do programa. A expectativa é que o governo de Jair Bolsonaro abrace as medidas e mude o cenário a partir de 2019.

A ideia é que a União financie 100% do valor das mensalidades. Hoje, o percentual mínimo é de 50%, mas os custos relativos aos outros 50% são considerados impedimento para grande parte da população. Do lado das instituições, a proposta é que elas ofertem ainda um desconto permanente nas mensalidades dos alunos beneficiados pelo Fies (percentual fixo a ser estabelecido junto aos gestores da política). Os estudantes também teriam participação nesse modelo: começariam a pagar o financiamento no mês subsequente à sua contratação, em percentuais inferiores aos que arcariam com a diferença entre o valor financiado e o custo da mensalidade.